Observação: Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido (ou não) mera coincidência!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Existem essas coisas que são. Apenas são e pronto, nada a fazer além de aceitar e repeitar. Como esse amor meu, ele é. Atemporal, incondicional, É!

sábado, 22 de dezembro de 2012

O amor, como a dor, é de quem tem!!!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Deu-se que a disposição dos móveis estava toda trocada. Em frente à cama havia o armário, com aquelas portas brancas, tudo branco até o teto. O computador, em cujo monitor se podia ver filmes, estava ao lado, junto a outra parede branca. A janela, até agradável, pois dava para uma varanda com arbusto e até ninho de passarinho, estava coberta por uma cortina branca. A única parede colorida, verde, estava na cabeceira da cama, não podia ser vista e ainda por cima não continha quadros, nenhum quadro. Tudo isso e um cheiro antigo de cigarro que se tornava insuportável com o ar condicionado ligado. O resultado de tanto engano foi a crise de claustrofobia só resolvida com muitos minutos em frente ao mar.
Na sala não, a janela ampla ficava aberta e podia-se sentar no chão, recostada em almofadas e assistir a um filme abraçada no bichinho, aparentemente um caranguejo de malha fria e recheado de bolinhas de algo que podia ser silicone. Na sala estava tudo certo, ali se podia ficar em paz, respirar, sorrir, cochilar. E havia ainda prateleiras com livros e com DVDs. Ali na sala estava tudo certo, ali se podia passar algumas horas agradáveis, pelo menos até que se resolvesse ir para o quarto, então era, definitivamente, hora de ir embora.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Diário do apocalipse, parte III

Cerca de duas semanas para o fim do mundo e tantas pendências:

- 1 quadro novo enorme e três pequenos para os quais é preciso:
           1- Tirar uma foto belíssima e coloridíssima que possa ser (muito) ampliada. Dio mio, onde encontrar essa paisagem belíssima e coloridíssima sem me expor ao sol do verão do Rio de Janeiro?
           2- Fazer três desenhos em folhas A4. Dio mio, onde arranjar três modelos novos? Pensando bem, talvez um dos desenhos já esteja pronto, o segundo seria uma belíssima bailarina e o terceiro ainda não sei.
- Preparar 15 aulas para um novo curso que começa em fevereiro no caso de sobrar universidade, alunos,  computadores e, é claro, eu!
- Cuidar (muito bem) de um gato moribundo e me acostumar com a ideia de ficar sem ele.
- Colocar na parede as prateleiras para livros que meu filho comprou há semanas
- Trocar um ventilador de teto, coisa que meu filho me pediu há semanas
- Deixar o passado pra trás
- Deixar o passado pra trás
- Deixar o passado pra trás
...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Então tá!

1 noite de sábado
1 vista fantástica
1 lua cheia
1 jantar espanhol
Umas taças de fabuloso vinho espanhol
1 prato de cozido madrileno
1 fatia de torta de limão
1 expresso

. . . 

1 festa de aniversário
Amigos queridos
Colegas de trabalho queridos
Música
Dança
Dança
Dança
Bem... ainda faltam mesmo 18 dias!!!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cenário do apocalipse:

1 caixa de lenço de papel
2 caixas de Bis
Bowie cantando Space Oddity novecentas vezes seguidas
1 gato amarelo em cima de 1 edredom azul embolado
Lençóis e travesseiros embolados
1 mulher embolada
1 óculos de leitura com um grau (muito) diferente do meu
1 livro
1 notebook
Dor nos olhos
Dor de cabeça
Aos 21 dias para o fim do mundo, com uma segunda feira em três dias
A tardinha promete...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A menina que fazia sonhos

Já havia visto aquela cena vezes demais para não saber o que significava. Seu coração ainda tentava produzir nuvens, mas estas, agora ralas, só com muio esforço conseguiriam encobrir alguma coisa. A realidade se impunha cada vez mais feroz e seu corpo teimava em perceber. Em efeito dominó todas as suas últimas construções começavam a cair e mais uma vez a verdade mudava, tudo mudava. Estava naquele momento em que pensava se teria forças para mais uma empreitada ou se sucumbiria ao comum, ao ordinário, à vida maçante e sem graça de tantos que eram felizes embora ela mal conseguisse acreditar como. Estava naquele momento de cansaço.
Nessa mesma época havia chegado um novo elemento, um anjo disfarçado, que a lembrou de sua obstinação e de como essa mesma obstinação atuara tantas vezes. Anjos já haviam frequentado sua vida anteriormente em mais de uma ocasião. Era o lado bom dos anos, a experiência.  Não para ser usada como gesso, não para fazê-la repetir, mas para mostrar que havia portas, muitas, ligadas a muitas realidades a esperar por ela. As portas surgiam e desapareciam. Já havia usado algumas e quando voltava a esse momento de mudança, se não resistisse, se apenas mantivesse a calma, elas voltariam, as portas.
Decidiu descansar um pouco, deixar que as nuvens se espraiassem o quanto quisessem, respirar com calma, acumular um pouco de energia. Não era ainda época de viagens, mas de repouso. Sabia que enquanto estivesse ali as portas se tornariam cada vez mais nítidas, até que algo muito intenso, quase ou mesmo incontrolável a faria atravessar novamente uma delas e se veria em uma nova história que começaria enquanto ainda digitava no escuro, em uma madrugada chuvosa,
Era uma vez uma menina que gostava de sonhar...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012



A primeira vez que parti devia ter uns três ou quatro anos e foi quando conheci a dor. A saudade era muito maior que o meu corpo, e como Alice, tinha medo de que o rio de lágrimas me afogasse. O sofrimento era uma dor física e as estranhezas no novo ambiente não ajudavam em nada. Eu era diferente. Mas tem essa coisa que chamamos de tempo, que eu estava começando a conhecer, embora ele passasse bem mais vagarosamente então. Havia as novas palavras que começavam a ser repetidas e a significar. E havia um fusca, e os passeios pelos trigais, e as roseiras do jardim, e as uvas, e o cheiro do doce sendo feito.  Havia o clube,  as matinês, e as cadeiras de madeira onde eu afundava e esticava o pescoço pra ver a tela. Havia um bebê, uma irmãzinha, e fraldas e chupetas e andadores, e a dor foi sendo distraída, diluída, cedendo lugar a mais e mais momentos bons, e o diferente, afinal, não era mais tão apavorante assim. Quando parti novamente, quatro anos mais tarde, o que era susto e dor acabou virando beleza e saudade. Não sei quando  esqueci  como é a vida, havia aprendido muito cedo, mas esqueci. Só que de uns anos pra cá ela voltou, a menininha,  voltou e me lembrou. Aprendi muito cedo, depois esqueci, mas agora lembro de tudo, lembro como é, como tudo se transforma o tempo todo, e como não há o que temer!!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Paulo Mendes Campos não sabe. O amor acaba é no silêncio. Acaba afogado por palavras reprimidas, por sentimentos contidos. Acaba pelo desprezo de sua beleza, de sua grandeza Na verdade o amor não acaba, é assassinado pelos que não podem amar, pelos que não tem coragem e por isso sentem tanta inveja do amor que o amordaçam, esfaqueiam, escarnecem dele, o ferem de morte, o sangram sem piedade até que não restem mais lágrimas, ou sorrisos, até não reste mais nada!

domingo, 14 de outubro de 2012

E assim caminham os deuses que nada podem...

Foi embora no meio da noite, a paz. Era meia-noite, não lembro de ter sonhado, nada aconteceu, estava bem quando fui dormir, curioso. Falo isso não como desabafo, mas como espectadora curiosa em saber porque essas coisas acontecem. Como pode o humor mudar enquanto se dorme? Talvez seja mesmo qualquer sentimento o resultado do balanço de nanoquantidades de várias coisas que fabricamos, ou não, e que nada existe além disso. E quando digo nada, quero dizer nada mesmo, nada do que pensamos, sentimos, acreditamos, nada do que buscamos, que evitamos, nada, nada, apenas as nanoquantidades agindo no corpo. Talvez tenhamos sido criados por esse nada que, perverso e brincalhão, fica experimentando diferentes balanços químicos e anotando os resultados, por nenhum motivo, só pra não fazer nada. Então somos brinquedos que se acreditam deuses, o que só torna a brincadeira mais divertida. Mas isso tudo alguem já falou, não é mesmo? E não tem importância nenhuma, porque para nós são importantes a paz e a angústia, essas coisas que surgem e que vão quando bem entendem. A enorme impotência diante das coisas me aborrece bastante em manhãs chuvosas de domingo...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Uma verdade qualquer

Hoje senti saudade. Não uma saudade lógica, nada que se relacione ao tempo, desses que o relogio mede. Você não pode entender. Não deve ter as tais ferramentas, ou apenas compreende o tempo de forma diferente. Entende qualquer coisa, menos uma saudade genuina e ilógica, uma que não pode ser explicada, uma que só é!
Hoje mais uma vez senti aquela solidão, a de ter de fazer diferente do que se é, a fim de poder ser um pouco. Aquela velha sensação de não poder mostrar o que é real, profundamente real, porque totalmente inexplicável. Queria saber, queria lembrar de onde ele vem, esse sentimento de inadequação, de incompreensão, de perplexidade, de não saber lidar.
Amanhã tudo estará diferente. A velha máscara em seu lugar, as velhas trancas, tudo sob controle. As coisas andam muito tempo sob controle ultimamente. Mas ele voltará, o grande terremoto. Virá porque já veio antes, e todos os esquemas estarão mudados, os personagens diferentes, a esperança renascida, e o mesmo velho enredo. A adequação mata a gente...mas nunca por tempo demais!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O amor é também "porque", mas é o "apesar de" que faz a diferença.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Das coisas que aprendi antes tarde que nunca I.

O impreenchível não pode ser preenchido, é inútil tentar. É preciso conviver com a falta.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Enterrar bulbos não os mata. Eles brotam. Há coisas vivas sob a terra!

sábado, 2 de junho de 2012

À você, que veio do passado


Olhando o rosto bonito, o olhar felino, a boca de convite, percebi o quanto foi antes. Antes, quando havia promessas por todos os lados, quando ainda não havia chegado o amor. Poderia ter amado seu rosto, seu corpo, o andar de tigre, as palavras, principalmente as belas palavras ditas pela voz doce, ditas vagarosamente, por vezes sussurradas, a língua que teimava em aparecer, ou então as palavras escritas, as cartas cheias de reticências... como me davam prazer suas cartas, então. A inteligência poderosa, tudo sedução, tudo convite. Sim, poderia tê-lo amado, mas foi antes,  quando ainda havia a busca, e as promessas. É tarde, já não é possível. O passado foi antes.

"Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta". (Luis de Camões)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tempos estranhos, de falta de ritos, de indefinições, de falta de começos e de finais. Tempos difíceis para uma criatura muito velha, muito antiga, uma velha árvore centenária retorcida a quem falta substrato, uma velha árvore com raízes soltas. Preciso chorar o meu amor morto, preciso enterrá-lo, dar as costas e seguir. Preciso de uma lápide. Não sou dessa época de mortos-vivos flutuantes, de circos voadores, de balões. Preciso de palavras, sou uma pessoa de palavras, palavras inteiras, paragrafos extensos, textos longos, significados claros. Odeio os silêncios, as fugas, os significados dos não ditos, muito explicadinha, como disse um grande amigo, não estava dizendo nada bom, mas não me senti ofendida, sou mesmo explicadinha, vício da profissão. Preciso fechar para abrir, fico prisioneira do entreaberto, quero ir, quero a liberdade de uma porta fechada às minhas costas. Preciso do cadáver do meu amor, preciso maquiá-lo com cuidado, vestí-lo, pranteá-lo, rezar por sua alma, afagá-lo, deixá-lo sob a terra para que seja protegido até a decomposição; preciso desse túmulo para que possa visitar nas urgências da confirmação, sim está morto, há uma lápide, aqui jaz!


"Os fatos não penetram no mundo em que vivem nossas crenças, não as fizeram nascer, não as destroem"... (Marcel Proust)