Observação: Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido (ou não) mera coincidência!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tempos estranhos, de falta de ritos, de indefinições, de falta de começos e de finais. Tempos difíceis para uma criatura muito velha, muito antiga, uma velha árvore centenária retorcida a quem falta substrato, uma velha árvore com raízes soltas. Preciso chorar o meu amor morto, preciso enterrá-lo, dar as costas e seguir. Preciso de uma lápide. Não sou dessa época de mortos-vivos flutuantes, de circos voadores, de balões. Preciso de palavras, sou uma pessoa de palavras, palavras inteiras, paragrafos extensos, textos longos, significados claros. Odeio os silêncios, as fugas, os significados dos não ditos, muito explicadinha, como disse um grande amigo, não estava dizendo nada bom, mas não me senti ofendida, sou mesmo explicadinha, vício da profissão. Preciso fechar para abrir, fico prisioneira do entreaberto, quero ir, quero a liberdade de uma porta fechada às minhas costas. Preciso do cadáver do meu amor, preciso maquiá-lo com cuidado, vestí-lo, pranteá-lo, rezar por sua alma, afagá-lo, deixá-lo sob a terra para que seja protegido até a decomposição; preciso desse túmulo para que possa visitar nas urgências da confirmação, sim está morto, há uma lápide, aqui jaz!


"Os fatos não penetram no mundo em que vivem nossas crenças, não as fizeram nascer, não as destroem"... (Marcel Proust)