Observação: Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido (ou não) mera coincidência!

sábado, 20 de setembro de 2014

Orquídeas

Por volta de 19 horas, enquanto comia um saco de pipoca salgada e passeava pela papelaria namorando os tubos de  tinta a óleo  como uma menina  namora  sutiãs, batons, e saltos altos,   dei -me conta que era sexta-feira, e que, portanto, no dia seguinte bem cedo, após a xícara de café e sob a luz da janela da sala, minha sala, haveria mais orquídeas, daquelas a  lápis de cor que ando desenhando e pintando ultimamente. Sorri!

domingo, 14 de setembro de 2014

Paisagem a carvão

Vê-lo me causa ânsias de preencher o impreenchível com qualquer sentimento  insustentável, me arrancando do meu nada e me jogando com violência contra uma orquestra de tímpanos. Eu, que da vida só almejaria a contemplação silenciosa de alguma paisagem uniforme, vazia, e cinzenta, como os céus que desenho a carvão e cuja visão me devolve a paz momentânea, também insustentável, ilusão de quem só sonharia precisar de quietude e de silêncio.

sábado, 26 de julho de 2014

Administrável

Foi quando ele disse aquela coisa, que grande parte das pessoas vivem sem amor. Estávamos falando do amor romântico, e eu com todas aquelas lágrimas que acompanham cada perda de ilusão, cada frustração. Foi ele também quem me disse uma vez que ninguém nunca me havia assegurado que o mundo era justo. Escrito assim, agora, parece tão óbvio e simples, mas quando se tem 20 e não se entende patavina das coisas, de como elas são, é uma revelação libertadora tanto quanto surpreendente. Tanto como essa, a das pessoas que vivem sem amor, essa trinta anos mais tarde.

 Talvez ele sempre tenha sido assim importante pra mim, desde a época em que fumava, roia as unhas e portava cachos com cor. Sempre alvo dos meus cuidados, olhares, escuta, admiração. Sempre o modelo da forma como eu iria educar meu filho, ainda assim no dia em que de verdade tive um. Ele e seus cachos com cor, o primeiro a me ajudar a pular os muros da medianidade, da mediocridade em que esta filha de normalista com militar, nascida em Niterói, vivia.  Então é isso, mais uma vez veio de sua boca a informação óbvia, de senso comum, que só a minha mente surrealartisticanovelescadorisday ainda não tinha. Uma nova informação daquele planeta distante, realidade, com o qual só um canal de muito afeto e confiança me fazia esporadicamente conectar. E, sabe, dita assim, por ele, de sua boca, através de seus olhos, pareceu até mesmo administrável!

terça-feira, 29 de abril de 2014

Sem você

Minha casa tem uma cara colonial. Brasileira, madeira, branco, azul. Na sala falta cortina, o banheiro precisa de jeito, ando habitando bastante a cozinha com copos, cremes, formas e morangos. O fogão tem saleiro de porcelana ao lado, com a palavra “sal”, que é pra não confundir. Vontade de encher a parte de cima da pia de azulejos coloridos... Em cima da mesa de centro, na sala, tem o meu retrato sorrindo, a foto da felicidade quando um dia me alcançou. Fica ali pra me lembrar.
Minha casa tem filho, planta, gatos, sofá branco, chão de taco, tapete de barbante, almofada xadrez. O quarto tem letras de musicas penduradas nas paredes, letras que combinam com o sorriso da sala, são pedaços dos meus sorrisos materializados. Tem livros, música, travesseiros, edredom. Minha casa é quente, minha casa é fresca, tem cinza, tem cor, castiçais, velas, moringa. Minha casa tem amor e tem dor, e tem fantasmas também.

Em 20 de dezembro de 2013

De repente meu mundo está enorme, maior do que pode caber dentro de mim, e o excesso pula de dentro pra fora do meu corpo e me faz doer os ossos e músculos. Tenho o corpo dolorido pelo excesso de pensar e os pensamentos me descem pelo pescoço e me dão a sensação de ter falado demasiado embora não tenha emitido palavra, uma noite de sono em um corpo relaxado e uma cabeça que não latejasse, que não transbordasse, seria terapêutica.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Em 7 de dezembro de 2013

A vida corre sonora e amorosa, um pouco de vinho uma cachacinha boa, árvores na penumbra da lua crescente, uma vontade de ter e papel e carvão pra capturar galhos pirilampos e cheiro bom, desses que não podem ser descritos, apenas sentidos e imaginados, um frescor de noite de verão na serra, o som, o som, e um amor que demorou a chegar, mas que como todas as coisas importantes que demoram, compensa cada minuto da espera, e essa vontade de guardar o momento para a eternidade ou algo mais próximo dela que se pode encontrar.