Observação: Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido (ou não) mera coincidência!

domingo, 12 de novembro de 2017

Domingo

Domingo bom é assim, tem filme, gente amada, leveza. Tem brisa, tem chá, aconchego. Tem dança, tem música, alegria. Tem conversa, sorriso, risada. Tem tela em branco, mensagens, gatinhos. Tem filho, livros, estante. Domingo bom é véspera de uma segunda novinha, lavada, cheirosa. Domingo bom é de reparo, de repouso, recupera. Longa vida aos bons domingos!

domingo, 5 de novembro de 2017

Hair



Não, eu não quero pintar.
Um dia na adolescência saí do banho e fui fazer alguma coisa no quintal. Quando entrei havia uma menina encaracolada no espelho. Cachos dançavam para todos os lados. Cachos que ao 13 anos eu ainda não conhecia, tamanho esforço da família e posteriormente meu em “domá-los” com toucas, a versão “chapinha” da minha infância. Acontece que gostei daquela menina desgrenhada e nunca mais me separei dela. Hoje não vejo mais a cor dos meus cachos. Sei que parte expressiva é branca, mas vive escondida. A cor acobreada já foi preta, castanha, vermelha, jamais branca. Ocorre, porém, que o couro cabeludo, o insistente, está vivo. O escondido ressurge periodicamente para horror e espanto de todos, e é rapidamente coberto. Era! Não quero mais. Quero ver meu cabelo, o original, o que meu corpo produz, o que continuaria sendo meu ainda que sumissem todos os cosméticos do mundo.
Não faça isso, dizem TODXS. Envelhece muito. Não, amadxs, o que envelhece é respirar, comer, o tempo, os anos, não o cabelo. Enfeia, amiga. Depende, queridx, o que embeleza e enfeia varia muito ao longo do planeta e do tempo. Não gostamos! Desculpa, mas vai ficar branco assim mesmo. Pelo menos pinta todo de branco. Não, meu bem, a ideia é justamente NÃO pintar. 
Como todxs, também não gosto de envelhecer. Também preferiria o rosto e o corpo de vinte anos atrás, já que a mente continua aquela. Aquela não, a de antes, a da menina desgrenhada olhando desafiadora para o mundo e pensando, essa sou eu, é assim que eu sou, e é assim que serei. Pois no momento tenho treze anos e dois dedos de raízes brancas.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Presente

Engraçado que de repente me vi voltando pra cá  sem planejar e me deparo com as últimas postagens nas quais falava de chá, amor, gatos e paz. O curioso é que neste momento tenho uma xícara de chá , vejo gatos aninhados quando levanto os olhos do teclado, sinto-me em paz com todo esse silêncio noturno, e sinto o mesmo amor de sempre. O tempo deu uma volta, tudo mudou, nada mudou. Esse deve ser o tal espaço aconchegante. Acho que conquistei um prêmio qualquer.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Espaço

Deu-se que nesse ínterim aumentaram os gatos, os quilos, os anos, e a paz. Cresceram os temperos, cresceu o amor. A felicidade, muito curiosa, deu uma incerta. Foi alimentada de miudezas e bobagenzinhas. Foi ficando. Anda enroscada em almofadas coloridas e cheiro de chá. Pensa em passar o verão assim, recolhidinha.

sábado, 20 de setembro de 2014

Orquídeas

Por volta de 19 horas, enquanto comia um saco de pipoca salgada e passeava pela papelaria namorando os tubos de  tinta a óleo  como uma menina  namora  sutiãs, batons, e saltos altos,   dei -me conta que era sexta-feira, e que, portanto, no dia seguinte bem cedo, após a xícara de café e sob a luz da janela da sala, minha sala, haveria mais orquídeas, daquelas a  lápis de cor que ando desenhando e pintando ultimamente. Sorri!

domingo, 14 de setembro de 2014

Paisagem a carvão

Vê-lo me causa ânsias de preencher o impreenchível com qualquer sentimento  insustentável, me arrancando do meu nada e me jogando com violência contra uma orquestra de tímpanos. Eu, que da vida só almejaria a contemplação silenciosa de alguma paisagem uniforme, vazia, e cinzenta, como os céus que desenho a carvão e cuja visão me devolve a paz momentânea, também insustentável, ilusão de quem só sonharia precisar de quietude e de silêncio.