Observação: Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido (ou não) mera coincidência!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Espaço

Deu-se que nesse ínterim aumentaram os gatos, os quilos, os anos, e a paz. Cresceram os temperos, cresceu o amor. A felicidade, muito curiosa, deu uma incerta. Foi alimentada de miudezas e bobagenzinhas. Foi ficando. Anda enroscada em almofadas coloridas e cheiro de chá. Pensa em passar o verão assim, recolhidinha.

sábado, 20 de setembro de 2014

Orquídeas

Por volta de 19 horas, enquanto comia um saco de pipoca salgada e passeava pela papelaria namorando os tubos de  tinta a óleo  como uma menina  namora  sutiãs, batons, e saltos altos,   dei -me conta que era sexta-feira, e que, portanto, no dia seguinte bem cedo, após a xícara de café e sob a luz da janela da sala, minha sala, haveria mais orquídeas, daquelas a  lápis de cor que ando desenhando e pintando ultimamente. Sorri!

domingo, 14 de setembro de 2014

Paisagem a carvão

Vê-lo me causa ânsias de preencher o impreenchível com qualquer sentimento  insustentável, me arrancando do meu nada e me jogando com violência contra uma orquestra de tímpanos. Eu, que da vida só almejaria a contemplação silenciosa de alguma paisagem uniforme, vazia, e cinzenta, como os céus que desenho a carvão e cuja visão me devolve a paz momentânea, também insustentável, ilusão de quem só sonharia precisar de quietude e de silêncio.

sábado, 26 de julho de 2014

Administrável

Foi quando ele disse aquela coisa, que grande parte das pessoas vivem sem amor. Estávamos falando do amor romântico, e eu com todas aquelas lágrimas que acompanham cada perda de ilusão, cada frustração. Foi ele também quem me disse uma vez que ninguém nunca me havia assegurado que o mundo era justo. Escrito assim, agora, parece tão óbvio e simples, mas quando se tem 20 e não se entende patavina das coisas, de como elas são, é uma revelação libertadora tanto quanto surpreendente. Tanto como essa, a das pessoas que vivem sem amor, essa trinta anos mais tarde.

 Talvez ele sempre tenha sido assim importante pra mim, desde a época em que fumava, roia as unhas e portava cachos com cor. Sempre alvo dos meus cuidados, olhares, escuta, admiração. Sempre o modelo da forma como eu iria educar meu filho, ainda assim no dia em que de verdade tive um. Ele e seus cachos com cor, o primeiro a me ajudar a pular os muros da medianidade, da mediocridade em que esta filha de normalista com militar, nascida em Niterói, vivia.  Então é isso, mais uma vez veio de sua boca a informação óbvia, de senso comum, que só a minha mente surrealartisticanovelescadorisday ainda não tinha. Uma nova informação daquele planeta distante, realidade, com o qual só um canal de muito afeto e confiança me fazia esporadicamente conectar. E, sabe, dita assim, por ele, de sua boca, através de seus olhos, pareceu até mesmo administrável!

terça-feira, 29 de abril de 2014

Sem você

Minha casa tem uma cara colonial. Brasileira, madeira, branco, azul. Na sala falta cortina, o banheiro precisa de jeito, ando habitando bastante a cozinha com copos, cremes, formas e morangos. O fogão tem saleiro de porcelana ao lado, com a palavra “sal”, que é pra não confundir. Vontade de encher a parte de cima da pia de azulejos coloridos... Em cima da mesa de centro, na sala, tem o meu retrato sorrindo, a foto da felicidade quando um dia me alcançou. Fica ali pra me lembrar.
Minha casa tem filho, planta, gatos, sofá branco, chão de taco, tapete de barbante, almofada xadrez. O quarto tem letras de musicas penduradas nas paredes, letras que combinam com o sorriso da sala, são pedaços dos meus sorrisos materializados. Tem livros, música, travesseiros, edredom. Minha casa é quente, minha casa é fresca, tem cinza, tem cor, castiçais, velas, moringa. Minha casa tem amor e tem dor, e tem fantasmas também.

Em 20 de dezembro de 2013

De repente meu mundo está enorme, maior do que pode caber dentro de mim, e o excesso pula de dentro pra fora do meu corpo e me faz doer os ossos e músculos. Tenho o corpo dolorido pelo excesso de pensar e os pensamentos me descem pelo pescoço e me dão a sensação de ter falado demasiado embora não tenha emitido palavra, uma noite de sono em um corpo relaxado e uma cabeça que não latejasse, que não transbordasse, seria terapêutica.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Em 7 de dezembro de 2013

A vida corre sonora e amorosa, um pouco de vinho uma cachacinha boa, árvores na penumbra da lua crescente, uma vontade de ter e papel e carvão pra capturar galhos pirilampos e cheiro bom, desses que não podem ser descritos, apenas sentidos e imaginados, um frescor de noite de verão na serra, o som, o som, e um amor que demorou a chegar, mas que como todas as coisas importantes que demoram, compensa cada minuto da espera, e essa vontade de guardar o momento para a eternidade ou algo mais próximo dela que se pode encontrar.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Lá pelo meio a gente começa novamente a pensar na vida, no resto dela, e sente esta necessidade de fazer planos para o futuro. Lá pelo meio a gente sente novamente esse ímpeto de recomeçar, de fazer coisas diferentes, embora  tenha já consciência das que são permanentes. Fica um pouquinho mais fácil mudar quando se sabe o que nunca foi embora. Só um pouquinho mais fácil. Lá vou "tomar aquele velho navio" como diz a música. Porém desta vez não estou nada cansada, apenas maravilhada com trilhões de possibilidades, trilhões de caminhos. Novamente, como aos vinte,  quase tudo pode acontecer!