Acontece que é abril. Em abril a luz invade e atinge até o
meio da sala. As paredes ficam cheias de sombras que mostram as plantas e a trama
da tela de proteção da janela, a qual é transformada em um belíssimo desenho. A
temperatura é mais agradável, o céu é mais azul. Cortinas e vidraças precisam
estar abertas, não se pode proteger o chão, nem os moveis, nem os quadros. É
preciso que a vida entre. A fonte de tudo. Na história da humanidade o sol já foi
considerado um deus. Erradamente? Quem sabe!
Época de energia boa, de cozinhar, decorar, pintar flores e
retratos, de escrever. Época de acariciar gatos, de receber pessoas queridas, de
experimentar receitas, de estudar, de renascer...
Houve quem considerasse retornar em abril. Não de peito aberto, não assim, mas com subentendidos, entrelinhas, implicitações, essas estratégias totalmente inapropriadas para a estação. O outono do Rio de Janeiro é coisa muito séria! Talvez em um desses janeiros cariocas, no sufoco do calor e umidade excessivas, quando o cérebro superaquecido considera qualquer ínfimo ajuste como bem-vindo. Talvez no verão, mas jamais em abril. Abril é época de organização, abril é época de recomeçar com a mesma luz honesta que ilumina até o meio da sala de estar, com as mesmas noites frescas que facilitam o repouso e a clareza da mente.
Nada pessoal, apenas acontece que é abril...
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